A terra do melão agora também produz uva

Nos últimos anos a produção de uva de mesa no país vem passando por grandes transformações, tanto na troca de variedades tradicionais por variedades protegidas, como a introdução de inovações tecnológicas voltadas para o setor, como também, plantio de uva em novas regiões. Então, não se espante se se daqui a 5 anos você comprar uva numa rede de supermercado brasileiro, e identificar que as uvas que você está comendo são produzidas no Rio Grande do Norte. Pois é, a produção de uva está avançando para novas regiões com potencial produtivo imenso.

Para entender um pouco mais sobre esses experimentos com a produção de uva, eu entrei em contato com um leitor do blog, Dr. Django Jesus Dantas, que é consultor do Sebrae e está desenvolvendo um trabalho de uva excelente na região do Apodi, Rio Grande do Norte.

A região do Rio Grande do Norte é conhecido pelo seu espressivo volume de produção de melão no pais, principalmente para exportação. Atualmente, os produtores desta região estão buscando diversificar essa produção com outras culturas, nesse caso a uva.

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Colheita de uva da Variedade Benitaka na região do Rio Grando do Norte.

Pontos fortes da região do Rio Grande do Norte

O Rio Grande do Norte é o segundo maior produtor de frutas tropicais irrigadas do Brasil, e o principal produtor e exportador de melão, possuindo uma área com potencial irrigável de 1,2 milhões de hectares, dos quais 90% encontram-se no Polo Assú-Mossoró.

Na pauta de exportações do Rio Grande do Norte, a castanha de caju é o segundo produto mais importante, ficando atrás apenas das exportações de melões frescos. Esta cultura teve grande impulso nas três últimas décadas, quando o aquecimento do mercado interno e externo fez surgir agroindústrias de beneficiamento de castanha espalhadas pelo Estado.

Atualmente, o setor emprega diretamente 10 mil pessoas na região de forma direta e mais 50 mil postos de trabalho são beneficiados de forma indireta. O melão continua sendo o carro-chefe da produção frutícola do Oeste potiguar, seguido por melancia, mamão e banana. Os frutos são destinados ao consumo interno e a exportação principalmente para países da Comunidade Europeia como: Inglaterra, Holanda, Espanha, entre outros.

Porque a região decidiu apostar na cultura da uva para esta região?

Baseado na experiência do Vale do São Francisco, onde a cultura da videira irrigada apresenta-se como a atividade agrícola que proporciona a maior geração de empregos no polo Petrolina, PE/Juazeiro, BA, chegando a gerar até cinco empregos por hectare/ano. O Vale do Assú, a região de Mossoró e a Chapada do Apodi decidiu apostar na produção de uvas finas de mesa visando o desenvolvimento econômico e a foramção de novos postos de trabalho da região.

A região do Apodi possuem grandes extensões de terras férteis, as condições de umidade relativa baixa e insolação (mais de 300 dias de sol por ano), característica que favorece a produção de uva. Outro fator importante, é que está região possui bom reservatório natural de água no subsolo, e também em reservatórios como as barragens de Assu e Santa Cruz em Apodi.

Onde estão sendo realizados os primeiros plantios?

Os primeiros experimentos com uva nessa região foi desenvolvido pela Universidade Federal Rural do Semiárido em Mossoró-RN, junto com o apoio financeiro da coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Durante quatro anos (2010 à 21014) foram testados a combinação de 3 cultivares de uvas: Isabel Precoce (uva de suco), Niagara rosada e Itália Melhorada (uva de mesa) com três tipos de porta-enxeto (IAC 766, IAC 572 e IAC 313).

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O objetivo desses trabalhos era de determinar a melhor combinação copa/porta-enxerto para cada cultivar que mais se adequava para a região.

As variedades testadas foram baseadas no seguintes critérios:

Isabel Precoce, apresenta tripla aptidão, podendo ser usada para mesa, suco e vinho, além da sua rusticidade na condução, com relação a tolerância a pragas e doenças fazendo com o produtor evite erros, pois ainda está aprendendo a lidar com uma cultura que exige muita técnica para se produzir.

As variedades Niagara rosada e Itália Melhorada – apresentam facilidade de manejo e requerem menos mão de obra quando comparadas com as uvas sem sementes. Estas variedades também apresentaram boa aceitação no mercado consumidor brasileiro.

Área de produção de Itália Melhorada

Atualmente, vem sendo desenvolvido um projeto de consultoria financiado pelo Sebrae, desde 2014, o Sebraetec, no qual é realizado o trabalho com oito produtores no estado do Rio Grande do Norte, nas cidades de Apodi, Mossoró, Parazinho, Touros e Vera Cruz. A maior área produtiva, é do produtor de Parazinho com 2 ha de Itália Melhorada e Benitaka, seguido de um outro da região de Touros com 1 ha, os demais são produtores com apenas 1/3 de ha.

Os produtores junto com o Dr. Dantas estão analisando a possibilidade da produção de uva Isabel orgânica e a nova variedade BRS Vitória, tendo em vista a oportunidade que na região de Apodi não apresenta incidência de doenças fúngicas, como Oídio e Míldo.

Artigo Relacionado: Saiba se você deve plantar a variedade BRS Vitória

Segundo o Dr. Dantas(esquerdo na foto), o maior desafio desse trabalho não foi as caracteristicas da região, e sim fazer os produtores locais acreditar na viabilidade de plantar uva nesta região.

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Em agosto espera-se ober a primeira colheita de Itália melhorada, o produtor está bastante animado, e estima-se uma produtividade de 24t/ha e com excelente qualidade da fruta, com teor de açúcar de 19ºBrix.

Toda a produção inicialmente será destinado as redes de supermercados e indústria de suco da região.

“As expectativas para a produção de uva nessa região são muito boas, haja visto que a primeira colheita das variedades Itália Muscat e Benitaka será em agosto desse ano com um produtor de Parazinho, região do Mato Grande, cuja área são de 2 ha.” — Djando Dantas.

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