Drones na viticultura: a revolução do sistema produtivo

Drones voando plantação - Drones na viticultura

Drones na viticultura é realidade e muito favoravél

Drones na viticultura está se tornando cada vez mais realidade do que esperávamos. Desde muito cedo aprendemos no sítio da nossa família ou na fazenda de amigos que agricultura é uma indústria no qual a principal força utilizada é a braçal. Até os que vão mais adiante na agricultura se depara com um sistema produtivo no qual o monitoramento de pragas e doenças, ou monitoramento do vigor e/ou as condições de solo são realizados “in loco”, olhando planta-a-planta ou monitorando uma amostra da área.

Em um sistema de grande escala, ainda que o produtor ou profissional tenha muita experiência nesse tipo de monitoramento, os mesmos tem dificuldades de identificar defiência de alguns nutrientes ou queda da fotossíntese da planta. Neste cenário de muitos questionamentos e advinhacões dos problemas do campo, surge uma nova e precisa alternativa de monitoramento: o drone.

A viticultura é uma atividade muito lucrativa e de alto valor agregado, no entanto, essa atividade é de grande risco econômico. O custo médio para produzir um hectare de uva de mesa custa em torno de R$80,000. Assim, o produtor necessita de dados precisos que servirão de auxílio nas tomadas de decisões no campo em tempo real,  tais como: a necessidade de fertilizantes, tais como nitrogênio, bem como herbicidas, insecticidas e fungicidas.

Muitos artigos tem sido escrito sobre as vantagens do uso de drones na agricultura, mas pouca coisa tem sido escrito sobre o uso de drones na viticultura. Nesse artigo vamos explorar o uso de drones na viticultura no Brasil e Estados Unidos.

Assim como em outras culturas, os drones podem ser utilizados na viticultura para monitorar o vigor da planta, dimensionar o tamanho da copa da planta, a área foliar exposta, vigor e o diâmetro do tronco.

Como o uso dessa tecnologia é algo relativamente novo no mercado, sua utilização ainda está em teste em alguns países. Até nos países em que o uso dessa tecnologia está em fase mais avançado, os usuários dessa ferramenta têm muitas dúvidas. Para nos ajudar a esclarecer algumas questões, eu convidei o professor Tavvs Alves para nos ajudar a entender sobre o uso de drones na agricultura.

Eu conheci o Prof. Tavvs no meu trabalho, Universidade de Minnesota, onde atuo como assistente de pesquisa no programa de melhoramento genético de uva. O Prof. Tavvs é mestre em fitossanidade pela Universidade Federal de Goiás e está terminando o seu doutorado em entomologia pela Universidade de Minnesota, onde o conheci. Seu trabalho de doutorado tem o objetivo de ajudar produtores de soja a usarem drones e satélites para detecção e manejo do pulgão-da-soja. A tecnologia e os métodos que Tavvs usa para analisar seus dados podem ser utilizados para diversas culturas e pragas.

Após a conclusão dos seus trabalhos de doutorado, no segundo semestre de 2016, Tavvs irá voltar ao Brasil onde pretende trabalhar como pesquisador na indústria ou academia. 

Confira abaixo a entrevista com o Professor Tavvs Alves.

1. Como é o mercado de drones no Brasil?

Tavvs: O mercado de drones no Brasil é dominado por pequenos e médios empresários. Os grandes fabricantes e desenvolvedores da tecnologia estão na América do Norte. No entanto, o consumidor brasileiro não fica desprovido dos avanços deste mercado. Através da internet e representantes de companias internacionais, os consumidores no Brasil podem adquirir os melhores drones disponíveis atualmente. O maior problema é o preço das aeronaves no Brasil. Alguns drones fora do Brasil custam menos da metade do que os que são vendidos dentro do país.

2. Os drones já mostraram impacto na economia aqui ou em outro pais?

Tavvs: O impacto econômico dos drones na agricultura nos Estados Unidos foi de mais de $2 bilhões de doláres em 2015. Também há outras atividades que estão sendo beneficiadas com o uso de drones, tais como o serviço militar, entrega de materiais hospitalares e comercialização de videos e fotografias. Embora o impacto econômico e investimentos tem sido mais modesto no Brasil, eu acredito que a nossa economia ainda vai se beneficiar muito com essa ferramenta, principalmente porque o maior potencial dos drones é na agricultura. Isso significa que mudanças significativas podem ocorrer em uma das principais bases da economia brasileira. Eu geralmente começo ou termino os meus seminários e apresentações dizendo que “os drones são ferramentas que vão revolucionar a produção de comida no mundo”.

“Os drones são ferramentas que vão revolucionar a produção de comida no mundo”.

Drone voando fazenda - Drones na viticultura -
Crédito da foto: PrecisionHawk – Drones na viticultura –
3. Quais as principais justificativas para a popularidade dos drones?

Tavvs: Os métodos tradicionais de coleta de dados requerem muito esforço e tempo. Pessoas bem treinadas eram necessárias para identificar insetos, doenças, deficiências nutricionais e outros fatores que podem afetar a produtividade das plantas. O custo dessas operações e o tempo de tomada de decisão tornavam o monitoramento de lavouras e pomares inviável para alguns produtores, principalmente aqueles cultivando frutas e vegetais. A recente evolução tecnológica de celulares, receptores gps e câmeras impulsionou o avanço necessário para viabilizar a fabricação de drones. Voar sobre as plantas oferece uma oportunidade única de coleta de dados. Em um futuro breve, nós poderemos concentrar esforços e recursos financeiros em plantas específicas que estão sofrendo estresse ao invés das tradicionais descisões tomadas para a totalidade dos campos.

4. Quais são as finalidades dos drones?

Tavvs: Devido ao contínuo avanço da pesquisa e da tecnologia abordo dessas aeronaves não-tripuladas, ainda é difícil definir os limites do potencial de uso dos drones na agricultura. Não somente em parrerais, mas para plantas cultivadas em geral, drones podem gerar informações que auxiliem nas tomadas de decisão para manejo de pragas e adubação. Sensores ativos que emitem sinal de radar, tais como LiDar, podem criar mapas 3D da copa de plantas. Também podemos usar drones para determinar a necessidade de irrigação ou replantio. A uva também pode ser beneficiada com o uso de drones para aplicação de pesticidas em locais onde tratores tenham muita dificuldade para subir ou em solos sensíveis a compactação.

5. O que é necessário para operar um drone?

Tavvs: Geralmente é necessário apenas o operador e o drone completo em vôos típicos. Comprar um drone não é muito diferente de comprar uma televisão nova. A complexidade para operar o drone vai depender do modelo. Os drones vendidos no mercado são fáceis de serem operados. Existem modelos que tem programas de computador que fazem o planejamento da missão e o preparo das imagens de forma semi-automática. Esses modelos são ideais para usuários com pouca experiência. Outros modelos requerem conhecimento avançado em planejamento de vôo, pilotagem, ortoretificação (ajuste de coordenadas geográficas), funcionamento de aeronaves, análises estatísticas, etc.

“Comprar um drone não é muito diferente de comprar uma televisão nova. A complexidade para operar o drone vai depender do modelo.”

Drone voando sobre plantação - Drones na viticultura
Crédito da foto: Katie Bell
6. Quais são suas sugestões para os produtores de uva?

Tavvs: A revolução na coleta e utilização de dados já foi iniciada. É importante que os produtores de uva se familiarizem com o uso dos drones. Drones logo serão indispensáveis para pequenas e grandes propriedades. No entanto, os produtores devem manter suas expectativas conforme o processo de desenvolvimento deste instrumento. Drones não serão a solução final para todos os problemas na agricultura. Existem várias limitações no uso de drones, como por exemplo: dificuldade de diferenciar os fatores que limitam a produtividade; inconsistência na coleta de dados em diferentes condições; e também necessita-se de pesquisa para determinar o problema antes de perdas econômicas. Eu acredito que muitas das limitações no uso de drones serão superados nos próximos anos, mas é necessário ter cautela. É essencial que produtores e a sociedade em geral apoie e colabore com universidades e empresas brasileiras para que possamos explorar o melhor que os drones tem para oferecer.

A nossa visão é de criar uma comunidade onde informações possam ser compartilhadas com o intuito de melhorar o dia-a-dia do agricultor e contribuir para o avanço da indústria. Estamos entrando em contato e trabalhando com muitas empresas ao redor do mundo e publicando artigos que possam adicionar valor para você, produtor, ou estudante de agronomia. Para receber nossos artigos e fazer parte da nossa comunidade, cadastre-se aqui.

Para podermos entender como o drone tem sido usado no Brasil, entramos em contato com uma das maiores fazenda de uva no Brasil, Labrunier, para ouvirmos deles como o drone tem mudado a tomada de decisões da empresa.

Experiência do uso de Drones nas Fazendas Labrunier-Grupo JD, Petrolina – Brasil

A Labrunier sempre foi pioneira na introdução de novas tecnologias para a cultura da uva. No ano passado a empresa iniciou um projeto para avaliar o uso de drones para monitoramento de alguns parâmetros agronômicos. Os primeiros trabalhos foram realizados visando conhecer e entender o potencial dessa tecnologia para a aplicação local de fertilizantes e pesticidas?

O primeiro vôo foi realizado com um drone da Precision hawk, modelo Lancaster 5, utilizando câmeras capazes de registrar bandas no espectro visível, infravermelho, e térmico. Ao mesmo tempo que o drone estava sobrevoando a área em estudo, uma equipe de campo coordenada por Emanuel Almeida (Gerente de irrigação e nutrição de plantas), realizava um levantamento para coletar algumas informações, tais como: monitoramento de pragas e doenças, temperatura da folha da planta, índice relativo de clorofila e coletas de pecíolos pra análises de nitrato de potássio nas zonas georeferenciadas.

A partir desse estudo foi possível concluir que, o drone poderia ser utilizado para determinar falhas de plantas, zonas estressadas (baixo vigor), zonas com estresse hídrico (temperatura elevada nas plantas) e presença de algumas pragas, como ácaros, oídio e outras.

Imagem aerea da Labrunier em Petrolina, PE - Drones na viticultura
Imagem aerea da Labrunier em Petrolina, PE – Drones na viticultura

A operação  do vôo ficou a cargo de uma empresa especializada chamada de Petrolina aeromodelismo. As imagens coletadas foram analisadas pela empresa americana fabricante do equipamento, Precision Hawk.  A empresa recebeu as fotos que foram coletadas no vôo realizado pelo drone e fez a interpretação dessas imagens. O custo de cada análise das imagens foi de US $25. Não há limitação do número de imagens a serem enviadas para análise e interpretação.

Apesar dos resultados coletados pelo estudo serem promissores, o uso de drones ainda não está influenciando as tomadas de decisões da empresa. A partir do próximo mês novos vôos serão realizados, em parceria com a Embrapa São Carlos, para aprimoramento dessa tecnologia.

Almeida afirma que não vê desvantagens do uso dessa tecnologia no campo, mas acredita que, novos trabalhos devem ser realizados visando aprimorar essa tecnologia. Isso poderia facilitar o monitoramento de pragas, podendo posteriormente fazer pulverizações por meio de drone apenas em pontos isolados. Outro fator é que, com o alinhamento dessa tecnologia, seria possível a redução de até 80% na equipe de monitoramento de pragas e doenças da empresa.

Podemos perceber que com esta tecnologia a tomada de decisões pode ser feita de forma mais rápida e eficiente, uma vez que em 24 horas você tem um mapa com todas os problemas definidos, afim de poder proceder as correções cabíveis em tempo hábil.” – Emanuel Almeida

O uso de drones na viticultura poderá contribuir para a produção de frutas mais limpas de resíduos a partir do acompanhamento mais detalhado de praga e doença, melhores stands de plantas, sem falhas, equilibradas nutricionalmente, sem déficit hídrico e bem como melhorar a produtividade e qualidade em muitos casos. Isso já é realidade em outras culturas como cana, batata, soja, milho ao longo do mundo, principalmente em áreas de cultivo intensivo, onde se torna difícil verificar cada talhão em um curto espaço de tempo. Essa tecnologia será uma importante ferramenta para o produtor nos próximos 5 anos, afirma Almeida.

Se você deseja aprender mais sobre o uso do drone na agricultura, ou como você pode usá-lo na sua fazenda, por favor entre em contato conosco atravês da nossa página de contato.

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